Sintep/MT fortalece cobrança conjunta para investigação dos recursos da Educação Pública

Os indícios de irregularidade do governo Taques no uso dos recursos da União e do estado, para a educação pública - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – leva o  Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Púbico de Mato Grosso (Sintep/MT) a fortalecer a parceria com a Associação Mato Grossense dos Municípios (AMM), Conselho Estadual de Educação e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), em Mato Grosso, e reforçar a cobrança de investigação dos órgãos de fiscalização dos recursos públicos.

A deliberação foi encaminhada após a reunião realizada nesta segunda-feira (15.01) na Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM) quando foram apresentadas planilhas orçamentárias que constatam incoerência nos recursos que chegaram aos municípios. Uma nota coletiva assinada pelas entidades que participaram de reunião será encaminhada junto ao pedido de investigação para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Estadual (MPE) e Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

O presidente do Sintep/MT, Henrique Lopes do Nascimento, informou que o sindicato já havia protocolado o pedido de investigação junto ao MPE e demais órgãos de fiscalização, na semana passada. As declarações do presidente da ALMT, Eduardo Botelho, apontando suspeição sobre a movimentação fiscal dos recursos da educação no estado, levaram o Sintep a cobrar apuração. “Para o Sintep/MT foi no mínimo estranho o fato do governo ter um incremento de receita 3 vezes maior, no último dia do ano”, disse o presidente.

Outra ação definida pelas entidades foi a realização de uma audiência cobrando esclarecimentos sobre os recursos do estado, para a Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto da Assembleia Legislativa estadual. O presidente da comissão na ALMT, deputado estadual Allan Kardec, esteve presente na reunião da AMM e apoiou a necessária fiscalização e cobrança de transparência nas contas do governo do estado.

"Sabemos da eficiência da equipe econômica do governo. Tivemos prova disso no último dia dez de janeiro, quando do dia pra noite conseguiram recursos, que não haviam, para pagar a folha dos servidores”, lembrou Lopes. Segundo ele, causa estranheza o fato de que os município tiveram redução dos recursos da educação em 2017. “Foram escassos, mesmo havendo aumento na arrecadação, como mostrou o presidente (AMM), Neurilan Fraga, nas planilhas apresentadas durante a reunião”, relata.   

Participaram da reunião a vice-presidente do Sintep/MT, Jocilene Barboza, o conselheiro do Sintep/MT no conselho do Fundeb, Carlito Pereira da Rocha, secretários de pastas e diretores regionais e assessoria jurídica do Sintep/MT e ass. Pela AMM estiveram além do presidente, o secretário municipal de Educação de Rondolândia e equipe técnica da entidade, bem como a presidente do CEE, Adriana Tomasoni, e a secretária executiva da Undime, Cezarina Benites.

Assessoria/Sintep-MT

Confira a Nota

NOTA PÚBLICA
A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), representada pelo seu presidente, Neurilan Fraga, juntamente com a União dos Dirigentes Municipais de Educação de Mato Grosso (Undime), na pessoa da secretária executiva, Cesarina Santos, do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), representado pelo presidente Henrique Lopes do Nascimento, a presidente do Conselho Estadual de Educação, Adriana Tomasoni, e o presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, deputado Allan Kardec, vêm  a público solicitar dos órgãos de controle estaduais e federais (Tribunais de Contas da União e do Estado, Ministérios Públicos Estadual e Federal e Assembleia Legislativa de Mato Grosso) que procedam investigações nas secretarias de Estado de Fazenda (Sefaz) e Educação (Seduc) no que concerne à movimentação dos recursos do  Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no exercício de 2017, em razão dos fatos descritos abaixo:
1º Declaração do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Eduardo Botelho, em matéria do jornal A Gazeta, veiculada no dia 29 de dezembro, de que o Governo do Estado teria utilizado os recursos do Auxílio de Fomento às Exportações (FEX) para cobrir R$ 230 milhões que teriam sido retirados do Fundeb ao longo do ano. A utilização do recurso, de acordo com o parlamentar, teria sido para evitar problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF);
2º Descompasso entre os números levantados pela AMM da relação entre a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o repasse da cota-parte do Fundeb aos municípios em 2017, se comparados com as receitas do imposto e do Fundo, em 2016. Constatou-se discrepância entre os números, com repasses menores em 2017, principalmente a partir do mês de agosto. Tal diferença não se justifica, pois o crescimento do ICMS no exercício de 2017 foi de aproximadamente 5%, em comparação a 2016.
3º Os significativos valores do Fundeb depositados nas contas das prefeituras no dia 28 de dezembro de 2017 em relação à média dos repasses executados durante o ano, ainda que consideradas as receitas extras, como por exemplo, o pagamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rede Energisa, Mutirão Fiscal, entre outros. Levantamento da AMM apontou uma variação de 185,22% no Fundeb em dezembro de 2017 se comparado ao mesmo mês de 2016, enquanto a arrecadação do ICMS cresceu apenas 24,53% em relação ao mesmo período do ano anterior.
4º As matérias veiculadas na imprensa regional com a declaração do secretário-chefe da Casa Civil, Max Russi, no início de janeiro, defendendo a manobra fiscal realizada pelo Governo do Estado para fechar as contas dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). De acordo com o secretário, o governo teria realizado ajustes durante todo o ano de 2017 para conseguir fechar as contas.
5º Entrevista do controlador-geral do Estado, Ciro Rodolpho Gonçalves, ao programa Jornal da Capital, na rádio Capital, no dia 08 de janeiro, em que o representante do Estado confirmou o atraso no repasse dos recursos do Fundeb aos municípios durante o exercício de 2017.
6º O Fundeb foi instituído pela Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006 e regulamentado pela Lei 11.494/2007, na forma do artigo 60 do ADCT. De acordo com a lei, os recursos devem ser repassados automaticamente para contas únicas e específicas vinculadas ao fundo. Todo o recurso gerado é redistribuído para aplicação exclusiva na educação básica.
As evidências narradas acima, principalmente da manifestação de importantes autoridades do Estado, como o deputado Eduardo Botelho e o secretário Max Russi, constituem indícios de que houve movimentação irregular dos recursos do Fundeb por parte do Governo do Estado. Sendo assim, conforme ação de natureza externa já protocolada pela Associação Mato-grossense dos Municípios e representações feitas pelo Sintep e deputado Allan Kardec no MPE, MPF, TCE, TCU e ALMT, solicitamos mais uma vez que sejam realizadas investigações em âmbito estadual e federal, com o intuito de elucidar o caso para que não paire nenhuma dúvida sobre a utilização dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.
Por fim, defendemos a transparência e a eficiência na utilização dos recursos públicos, com aplicação estritamente de acordo com o que a lei determina. Tais medidas garantem respeito à sociedade, que paga impostos, e aos municípios, que já são demasiadamente injustiçados pela inadequada partilha de recursos que continuamente retiram a autonomia financeira das administrações municipais.


Cuiabá, MT - 15/01/2018 21:25:15


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