A FASCISTIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

Nos últimos anos, vem-se explicitando na sociedade brasileira um processo histórico qualificado de fascistização. Essa tendência se acentuou durante a conjuntura do recente golpe engendrado contra a Presidente Dilma Rousseff.
Por fascistização, entende-se etimologicamente:
Ato ou resultado de fascistizar(-se), de tornar(-se) fascista. (http://www.aulete.com.br/fascistiza%C3%A7%C3%A3o)
Ato de tornar fascista, de assumir características dominantemente ou parcialmente fascistas.” “Processo pelo qual um regime, uma sociedade, uma doutrina, um partido, um líder etc. se fascistizam, isto é, adquirem características fascistas. Ação de tornar fascista algo ou alguém.
(http://www.dicionarioinformal.com.br/fascistiza%C3%A7%C3%A3o/
 
 
O fascismo é caracterizado como um sistema autoritário de dominação, em que o monopólio da representação política é exercido por um partido único de massa, hierarquicamente organizado. Baseia-se em uma ideologia de culto do chefe, de exaltação da comunidade nacional, de anticomunismo, de desprezo aos valores do individualismo liberal e de colaboração de classes: 
 
[...] pela mobilização das massas e o seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime; pelo aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror; por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações, e dos meios de comunicação de massa; por um crescente dirigismo estatal de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado; pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais. (BOBBIO, MATTEUCCI e PASQUINO, 2000, p. 466)
 
 
Tais características, como conjunto, demarcaram o Estado brasileiro na ditadura varguista. Algumas delas demarcaram a ditadura militar, especialmente o aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror.  
Neste texto, o termo fascistização está utilizado em uma abordagem generalizante , como autoritarismo, em um sentido político de aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência; e em um sentido ideológico, de anticomunismo e de outros anti veiculados por aparelhos de propaganda. 
Evidências dessa fascistização recente são documentadas na mídia, especialmente nas redes sociais: 
    uma crescente violência, simbólica e física, contra grupos socialmente excluídos;
    uma  ampla explicitação de casos de discriminação de minorias sociais, com ênfase sobre  relações homoafetiva;
    uma intolerância manifesta  de cunho religioso, visivelmente contra expressões religiosas de base etno- cultural indígena  e africana;
    atitudes manifestas contra a liberdade de expressão, nos mais diversos  espaços, qualificando opiniões e ações dissidentes às dos manifestantes com o rótulo genérico e homogeneizante de “comunismo”;
    uma desqualificação mútua e generalizada nas redes sociais entre opiniões políticas divergentes;
    ações legislativas para impor uma Escola dita sem Partido, mas nitidamente de cunho religioso creacionista, de base evangélica de mercado, contra princípios culturais e científicos divergentes;
    ações legislativas para enquadrar  institucionalmente a Família  segundo o velho padrão patriarcalista,
Aí circulam comentários nas redes: 
“Nunca a sociedade brasileira foi assim.”
“Sempre fomos um povo tão cordial!”
“Vivíamos em paz.”
É o pensamento crítico que quebra o senso comum e desnaturaliza a realidade. Basta começar com simples questionamentos:
“Nunca houve isso antes?”
“Éramos ou somos um povo cordial?”
‘”Vivíamos mesmo em paz?”

 Leia na íntegra

Rosa Maria Godoy Silveira - Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em História (Universidade de São Paulo). Instituição: Universidade Federal da Paraíba- Professora Aposentada Voluntária do Programa de Pós-Graduação em Cidadania, Direitos Humanos e Políticas Públicas.

Ciuabá, MT - 04/09/2017 18:22:35


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