Educação emancipadora e a formação do ser autônomo

Fábio Mariani (Mestrando PPGE/UFMT) e Ademar de Lima Carvalho (Orientador PPGE/IE/UFMT)

 

O presente trabalho se situa dentro de uma proposta de projeto de pesquisa de mestrado em andamento na Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT e pretende discutir a problemática de uma educação pública de qualidade. As discussões em torno de padrões de qualidade para a educação embalam o cenário educacional mundial. A luta pela garantia do acesso de todos à educação continua sendo uma bandeira defendida por educadores comprometidos com a construção de uma sociedade de relações mais justas. No entanto, não se trata de apenas garantir o acesso à educação, mas de que este acesso aconteça dentro de um referencial mínimo de qualidade. Dessa forma, a constituição de uma proposta de educação e prática pedagógica que melhor atenda a critérios de qualidade social, visando a promoção da aprendizagem significativa do estudante situado no contexto das contradições sociais que perpassa o momento histórico tem se revelado um grande desafio para a educação na atualidade.

 

Dentro desta perspectiva os embates sobre a função social a ser desempenhada pela escola, ganham destaque nas discussões acerca das políticas educacionais, dos currículos, das concepções e práticas pedagógicas e da formação de professores. Coloca-se como questão fundamental se a escola, entendida como espaço dinâmico de construção histórica do saber, em sua função social, deveria privilegiar as necessidades e os interesses do mercado, dando ênfase aos aspectos técnicos de formação profissional, ou deveria dedicar atenção à formação para a cidadania democrática ressaltando os aspectos de uma formação humana libertadora e autônoma.

 

A tradição educacional em que se estruturam as concepções e práticas pedagógicas em nosso país está calcada, em grande parte, em um modelo de escola que se construiu segundo os princípios ideológicos da burguesia, da lógica de mercado e da formação profissional. A educação nesta perspectiva, acaba por servir como mecanismo de ajuste e adequação das pessoas às demandas do processo de produção capitalista. Nesta visão, o ser humano passa a ser compreendido como um produto manipulável de acordo com as exigências da produção de capital, transformando-se num mero receptor de conhecimento fragmentado, necessário simplesmente para uma possível inserção no mercado, sem o devido conhecimento do mundo do trabalho e o papel do conhecimento filosófico, científico como foco primordial para transformação do mundo e promoção do desenvolvimento humano. Na perspectiva da lógica do mercado a educação torna-se uma forma de estímulo à competitividade, incutindo no educando expectativas e esperanças - falsas na maioria das vezes - de acesso às demandas do capital e assim, condicionando a construção de sua própria existência a um nível de alienação e subordinação humana que o impedem de "ser mais", limita a sua liberdade e nega-lhe a condição de sujeito de sua própria história.

 

Motivado por este cenário educacional problemático e tomando como referencial teórico o ideário da teoria crítica, que tem como um grande expoente Paulo Freire, é que proponho uma discussão sobre a possibilidade de uma educação emancipadora capaz de contribuir para a construção do ser autônomo. Refletir sobre as concepções e práticas educativas dos professores na perspectiva de uma educação que promova a emancipação e a autonomia dos educandos é o objetivo norteador desta discussão.

Ciuabá, MT - 26/05/2014 18:09:21


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